Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2006

FLORBELA ESPANCA

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Flor Bela Espanca (1894-1930)

Tem sido considerada muito justamente a figura feminina mais importante da Literatura Portuguesa.Sua poesia, mais reveladora de seu talento que os contos, é produto duma sensibilidade exarcebada por fortes impulsos eróticos, corresponde a um verdadeiro diário íntimo onde a autora extravasa as lutas que travam dentro dela tendências e sentimentos opostos.Trata-se duma poesia-confissão, através da qual ganha relevo eloqüente, cálido e sincero, toda a desesperante experiência sentimental duma mulher apaixonada.O modo como procede, a temperatura da confidência amorosa, os fulgores duma paixão incontrolável e escaldante, só encontra semelhança nas Cartas de Amor de Sóror Mariana Alcoforado.

A trajetória de Florbela inicia-se sob a égide de Antônio Nobre . Fase tateando ainda, mas já se vislumbra o encontro dum caminho autêntico, duma dicção poética pessoal e forte.Com o livro de Sóror Saudade, Florbela amadurece liricamente: o soneto passa a ser largamente cultivado, embora sob a influência sensível dos sonetos anterianos.Conquistava , assim, o veículo que melhor lhe permitia confessar o drama íntimo , num estilo cada vez mais emocionalmente insatisfeita, sofre porque a sociedade não lhe compreende o alcance e a altitude.
Uma tão obsessiva e poderosa capacidade de amar, sendo incorrespondida, derrama-se na Natureza, originando poemas de tons panteísticos logo transformados em melancólicas ternuras pela terra-mãe, por Évora, pelos lugares da adolescência e por ela própria. A morte põe-se a substituir seu anseio de vida:
“Deixais entrar a Morte, a iluminada,
A que vem para mim, pra me levar,
Abri toda as portas par em par
Como asas a bater em revoada”

Está-se na fase derradeira da poesia de Florbela Espanca, representada por sonetos de Charneca em Flor e Reliquae: ainda que menos impressionante e comovente como estado confessional, pois o relativo apaziguamento da luta interior vem acompanhado de renúncia e prostração , corresponde ao ápice artístico de sua carreira de poetisa. Seus sonetos atingem agora um refinamento raro e uma imediata força comunicativa , próprios duma sensibilidade que subtilizou o amor a pouco até assumir uma olímpica resignação de quem traz” no olhar visões extraordinárias “ .

Em seu poema “ Amar “ , seu sensualismo desconhece limites ou grilhões; seu erotismo supera as hipocrisias e as convenções pequeno-burguesas, e cumpre-se livre de qualquer intelectualização ou mentalização deformadora.
Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar:Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

(...)
Flor Bela Espanca,
* Suicida-se um dia antes de fazer 36 anos
* Fumava , usava uma piteira , tinha um cigarreira de prata e comportamento , origem e vivência pouco convencionais
* Reclamava a falta de palavras para expressar seu interior
* Lutou contra a marginalidade banal

SER POETAheart.gif

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

publicado por TiBéu ( Isa) às 16:23
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3 comentários:
De Anónimo a 2 de Março de 2006 às 15:12
www.afonsinetes.blogs.sapo.pt

Palavras para kê? Eu amo poemas de florbela espanca o livro ke tenho e lindo! mas um que eu gosto mesmo e o Fanatismo acho ke não há ninguem ke nao o conheça porque é muito lindo!!!!afonsinetes
</a>
(mailto:afonsinetes21@hotmail.com)


De Anónimo a 28 de Fevereiro de 2006 às 21:31
Então e ler um bocadinho de prosa? Sugiro um clássico... Eça de Queirós ? ;)

Continue assim ;)Gambuzina
(http://spaces.msn.com/gambuzinus)
(mailto:xtr3m3_g1rl@smartistas.com)


De Anónimo a 27 de Fevereiro de 2006 às 16:35
Que dizer ... bem , eu adoro a poesia de Florbela Espanca . Aliás é a minha poetisa de eleição . Portanto qualquer opinião minha em relação aos seus poemas é suspeita ... Gosto de todos , identifico-me com muitossss ... Adorei (re)ler :) . Beijitos.
Secreta
(http://secreta.blogs.sapo.pt)
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